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Brasileiros na Alemanha -
Esquentando os tambores do hexa
Por: Antonio Bulhões, de Munique | Sotaque Brasileiro, Número 11, Primavera 2006

Pedro e Manolo, brasileirinhos na Alemanha. Foto ABKnet. |
Trinta mil é o número oficial de brasileiros na Alemanha, segundo a Agência Federal de Estatísticas do país (Destatis), mas estimativas não oficiais calculam que há pelo menos 60 mil brasileiros vivendo no país que sediará a Copa do Mundo 2006. Gente suficiente para encher os estádios dos jogos do Brasil durante a maior festa do futebol, que começa no dia 9 de junho.
A maioria dos brasileiros que vivem na Alemanha não conseguirá comprar os disputados ingressos dos jogos da seleção brasileira, mas isso não afeta o ânimo da torcida verde-amarela local. Dentro ou fora dos estádios, esta copa promete ser um espetáculo de alegria e confraternização. E esse é o objetivo dos organizadores alemães, que vêem no evento uma oportunidade para polir a imagem do país e alavancar a economia estagnada. A copa já está ajudando a fomentar o mercado de trabalho: 60 mil empregos diretos foram criados para o evento. Sem falar no estímulo ao comércio, turismo e hotelaria locais. A infra-estrutura também saiu beneficiada: 16 estádios foram reformados ou construídos especialmente para os jogos. E o setor de serviços está a todo vapor, muito antes do pontapé do jogo inaugural.
Em lugares estratégicos de muitas cidades serão colocados telões para os torcedores que ficarão do lado de fora dos estádios. Só no centro de Berlim serão 16 telões, entre eles o maior do mundo. É ao redor desses telões que acontecerão as grandes festas de rua, com gente de todos os recantos do mundo celebrando o maior acontecimento esportivo do ano.
O futebol faz a festa
Brasileiros como os irmãos Pedro, 9 anos, e Manolo Zipf, 10, estão em clima de contagem regressiva. Os garotos de Frankfurt têm dupla nacionalidade, mas quando se trata de copa não vacilam: é Brasil. Munidos com a camisa da seleção e a bandeira do Brasil, eles estão prontos para festejar o hexa. “Vamos comemorar a vitória no carnaval da Römerplatz”, adianta Manolo, referindo-se à praça da prefeitura de Frankfurt e cenário das comemorações das vitórias do time local. O pai dos garotos, Manfred, apesar de alemão não interfere na opção dos filhos. “No fundo, simpatizo com o Brasil”, diz ele.
Já o escritor brasileiro Zé do Rock, que vive em Munique e está no momento trabalhando nos detalhes finais de um documentário sobre Brasil e Alemanha, vai tirar férias durante a copa para acompanhar a festa de perto. “Perdi a oportunidade de adquirir ingressos, mas vou acompanhar pela TV e ir para Schwabing após os jogos”, explica o escritor. Schwabing é um bairro no centro de Munique onde os brasileiros se reúnem para comemorar as vitórias da seleção. Em 2002, quando a seleção foi penta ao vencer a Alemanha na final, a festa foi tão grande em Schwabing que as ruas foram fechadas para o trânsito. Brasileiros e resignados alemães dançaram samba até altas horas.
QG brasileiro será em Colônia
O quartel-general da torcida brasileira será a cidade de Colônia, no Estado de Nordhein-Westfalen. Apesar de o Brasil não jogar lá, nada menos que seis mil torcedores brasileiros estão sendo esperados pela mais antiga cidade do país. A vice-prefeita de Colônia, Angela Spizig, uma alemã fã do Brasil e que fala português, foi uma das autoridades que mais se esforçou para transformar Colônia na cidade oficial da torcida canarinho. Quase todos os hotéis da região, diz Spizig, estão reservados para os brasileiros.
A cidade às margens do Reno será decorada com motivos nas cores verde e amarela. Serão distribuídas cartilhas em português com informações sobre pontos turísticos e eventos. Bares e restaurantes oferecerão programação e cardápios especiais para os turistas tupiniquins. Para a vice-prefeita, tão importante quanto a Copa do Mundo é o intercâmbio e aproximação entre as culturas. “Queremos que os brasileiros sintam-se em casa e conheçam nossa cultura, história e hospitalidade.”
Fazer de Colônia a sede oficial brasileira foi um exaustivo trabalho para as autoridades locais. Delegações viajaram ao Brasil e conversaram com Pelé, que contribuiu como garoto-propaganda da cidade durante as negociações.
Tanto as autoridades como a população de Colônia, conhecida pelo maior carnaval da Alemanha, estão empolgados e em “ritmo de samba”, afirma Angela Spizig.
Vitrine do Brasil - Para Moacir Jardim, brasileiro radicado em Colônia, a participação esportiva na copa é tão importante quanto os eventos culturais que serão promovidos paralelamente. Exposições, shows e feiras de negócios fazem parte da iniciativa do governo brasileiro, de artistas e empresários para estimular a economia e cultura brasileiras no exterior. A Copa das Culturas, por exemplo, é um projeto cultural que o Ministério da Cultura do Brasil promoverá em Berlim, Munique e Colônia. Além disso, Munique e Colônia serão sedes da exposição Braspex, que visa mostrar o potencial do turismo, gastronomia, cultura e comércio brasileiros. “É uma verdadeira maratona para aproveitar o espaço aberto pelo futebol e apresentar uma vitrine brasileira para o mundo”, diz Jardim.
*Antonio Bulhões é editor do site brasileiro de notícias www.abknet.de, na Alemanha. O site traz cobertura completa da Copa do Mundo 2006 e dicas para torcedores brasileiros.
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