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Uma partida de futebol inesquecivel
Por: Por Sheila M. Dabu, de Toronto*. Tradução: Luciana Tuzino | Sotaque Brasileiro, Numero 12, Verão 2006
O canadense Craig Kielburger, da organização Free the Children, fala sobre sua estreita ligação com o Brasil

Kielburger com Madre Teresa
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Kielburger com Dalai Lama |
Quando tinha apenas 12 anos, o canadense Craig Kielburger fundou sua própria organização sem fins lucrativos, a Free the Children, em Markham, Ontário. A organização, hoje mundialmente reconhecida, ajuda crianças de 45 países, entre eles o Brasil, a ter uma vida mais digna. A Free the Children tem parcerias com as Nações Unidas e com a Angel Network, da apresentadora americana de TV Oprah Winfrey. Em abril, Craig Kielburger, 23 anos, recebeu o World Chidren’s Prize for the Rights of the Child, conhecido como o Nobel das Crianças.
Aos 14 anos, Kielburger foi ao Brasil para conversar com crianças vítimas da exploração do trabalho infantil e com menores de rua. A experiência marcou a vida do jovem canadense para sempre.
Na cidade do Rio de Janeiro, Kielburger conheceu José, um menino de rua de 14 anos que convidou o canadense para conhecer sua casa, um ônibus abandonado que ele dividia com outras crianças. Com idades entre 8 e 16 anos, os moradores do ônibus contaram para Kielburger como eles foram parar na rua. Alguns foram enviados por suas famílias para trabalhar na cidade grande. Outros fugiram de casa para escapar de abusos sexuais. Kielburger notou que a maioria das crianças tinha apenas dois bens: um shorts e uma camiseta. “O instinto de sobrevivência e a solidariedade eram sua maior riqueza. Para sobreviver ao universo cruel das ruas, eles criaram sua própria família, dividindo comida e dinheiro e cuidando uns dos outros”, recorda Kielburger.
José e seus amigos convidaram Kielburger para jogar uma partida de futebol. A bola improvisada era uma garrafa de plástico. “O jogo durou horas e só terminou porque alguém caiu sobre a garrafa amassando-a”, lembra Kielburger.
Na hora da despedida, José fez um gesto que marcou a vida do jovem canadense. O menino de rua tirou sua camisa do Flamengo e a deu de presente para Kielburger. O visitante ficou surpreso com o gesto do menino que abria mão de seu mais precioso bem para dá-lo a um estranho. Então, tirou a camiseta que estava vestindo e a deu para seu novo amigo brasileiro. “Era uma camiseta branca, muito inferior à de José”, conta Kielburger.
A camisa do Flamengo hoje enfeita a parede do quarto de Kielburger. “Ela está lá para me lembrar que se todos tivéssemos o coração de um menino de rua, haveria menos miséria, injustiça e sofrimento no mundo”, diz ele. O encontro com pessoas como José ensinaram a Kielburger o segredo da felicidade. Ele e seu irmão, Marc Kielburger, que também coordena a organização Free the Children, criaram uma filosofia de vida que chamam de Me to We. Acreditamos que ao ajudar os outros você enriquece não só a vida deles mas a sua também”, explica Craig Kielburger.
Organização construiu mais de 400 escolas
A Free the Children foi criada há dez anos por jovens da Grande Toronto liderados por Craig Kielburger, então com 12 anos. Hoje, a organização tem mais de um milhão de membros atuando em vários países em desenvolvimento. A organização já construiu mais de 400 escolas e proporcionou atendimento médico para cerca de 500 mil pessoas em 40 países.
No Brasil, a Free the Children trabalha em parceria com o governo brasileiro e já investiu 1 milhão de dólares canadenses em iniciativas de combate ao trabalho infantil. A organização criou um programa de alfabetização com professores voluntários para crianças que trabalham nas plantações de sisal e cana-de-açúcar.
“A nossa geração será a primeira de verdadeiros cidadãos globais. Uma geração que interage com o Brasil ou a Índia como se fossem nossos vizinhos,” diz Kielburger. Para o fundador da Free the Children, esta geração precisa aprender não só a negociar com outros países, mas também conhecer outras culturas, línguas e políticas internacionais.
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* Sheila M. Dabu é jornalista do The Jordan Times, na Jordânia.
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