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Seu Jorge solta o verbo
Por: Por Rita Simone | Sotaque Brasileiro, Numero 13, Outono 2006

Antes de iniciar o processo de imigração para o Canadá, é importante saber como o sistema funciona

Seu Jorge
Seu Jorge em show em Toronto

O cantor e compositor Seu Jorge apresentou-se no Concert Stage do Harbourfront Centre, em Toronto, no dia 30 de junho. O show do brasileiro fez parte da programação de abertura do Toronto Jazz Festival. O cenário foi perfeito para um show de Seu Jorge: uma noite morna de verão, uma lua cúmplice, barcos deslizando nas águas em frente ao palco e uma platéia multicultural aquecida pelo clima de copa do mundo, com direito a bandeiras do Brasil e camisetas amarelas.

  O público fez uma grande onda para receber “Mr. Jorge”, como o cantor foi anunciado pela apresentadora canadense.  Ao surgir com seu violão e músicos, Seu Jorge foi saudado por uma platéia em frenesi, que correu para a frente do palco e dançou até o final do show.


O “gorgeus Jorge”, como o cantor foi chamado pela publicação semanal Now Magazine, fez um show embalado por seu samba-rock-funk-reggae e pela frenética presença de amantes da boa música brasileira.


Entre os sucessos Mania de Peitão, uma crítica ao silicone, e Carolina, Jorge falou, em inglês, sobre os problemas sociais brasileiros, as eleições de 2006, o papel da imprensa na promoção de uma imagem negativa da favela e a relação da mídia com a problemática da justiça social no Brasil. Jorge reforçou sua opinião sobre as comunidades carentes do Brasil cantando Eu Sou Favela, que diz que “a favela nunca foi reduto de marginal, ela só tem gente humilde, marginalizada, e essa verdade não sai no jornal”.

O show mostrou por que Seu Jorge é considerado pela crítica um dos melhores cantores contemporâneos brasileiros. No palco, o cantor promove uma visita guiada ao ritmo brasileiro, evocando com sua voz grave o melhor do samba.

Volta e meia no Brasil surge um cantor considerado moderno. Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown já detiveram o título. Hoje, no entanto, é Seu Jorge – ex-borracheiro, relojoeiro, vigia, soldado do exército e sem-teto – quem assume o posto. Seus dois CD’s solos Samba Esporte Fino e Cru, este lançado apenas na Europa, estão entre os melhores do pop brasileiro atual. Recentemente, seu suingue, musicalidade e carisma caíram no gosto do grande público brasileiro graças ao seu trabalho com Ana Carolina, Ana & Jorge, álbum que registra um show que a cantora fez em parceria com Seu Jorge em agosto de 2005, em São Paulo.

Uma idéia na cabeça

A trajetória de Jorge Mário da Silva, o Seu Jorge, é material para roteiro de filme. Com muita obstinação e talento, o rapaz de Belford Roxo, bairro da Baixada Fluminense, trocou o trabalho de vigia por aulas de teatro na Universidade Estadual do Rio de Janeiro que, mais tarde, o levaram ao cinema. O apelido, ele ganhou do amigo Marcelo Yuka, baterista do grupo O Rappa.

O primeiro trabalho de destaque de Jorge no cinema foi o Mané Galinha, em Cidade de Deus. Em seguida, ele contracenou com nada menos que Bill Murray e Anjelica Huston no filme The Life Aquatic with Steve Zissou, do diretor Wes Anderson. Essas aparições na telona impulsionaram a carreira européia do cantor. Quando Cidade de Deus foi indicado ao Oscar, Seu Jorge já estava fazendo shows no badalado restaurante Favela Chic, em Paris.

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