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Parati. Entre o Mar e a Serra.
Por: Luciana Tuzino | Sotaque Brasileiro, Número 14, Inverno 2006
Parati se consolida como um dos roteiros mais charmosos do litoral brasileiro

Parati. Entre a serra e o mar
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Bonita, civilizada, histórica, moderna. Não estamos falando de um lugar na Europa, mas de Parati, uma cidadezinha com pouco mais de 27 mil habitantes no litoral fluminense. A antiga vila de caiçaras foi invadida por artistas e intelectuais na década de 70 e ganhou um ar cosmopolita sem perder o charme original. Artistas e estrangeiros radicados na cidade, turistas europeus e pescadores dividem a paisagem na mais perfeita harmonia.
Parati é uma cidade pequena atípica, cujos moradores não mostram estranhamento ao que é diferente. “Essa capacidade de aceitar o novo e o que vem de fora não é um traço que surgiu com a chegada dos intelectuais. Desde sua fundação, Parati sempre foi um ponto de passagem de forasteiros de todos os tipos e cantos do mundo”, diz Marcos Caetano Ribas, do Grupo Contadores de Estórias, em depoimento que faz parte do acervo da Casa da Cultura de Parati. Fundada em 1667, a cidade desempenhou papel importante na época dos ciclos do ouro e do café que eram escoados para o porto de Parati. O porto chegou a ser o segundo maior do país depois do Rio de Janeiro.
O maior trunfo de Parati é ter conseguido preservar o cenário de Brasil colonial, que ambientou produções como o filme Gabriela e a minissérie A Muralha, exibida pela Rede Globo. O tráfego de veículos é proibido nos 33 quarteirões do Centro Histórico, que tem calçamento feito de pedras irregulares e imponentes casarões e igrejas. Andar pelo Centro é uma verdadeira aula de História com a vantagem de poder parar em restaurantes sofisticados, fazer compras e visitar as dezenas de ateliês – uma vitrine do riquíssimo legado cultural de Parati, com forte influência negra e indígena e, ao mesmo tempo, antenado com a arte de vanguarda. A cidade promove um dos mais badalados eventos literárias do mundo, a Flip (Festa Literária Internacional de Parati). A edição de 2006, de 9 a 13 de agosto, homenageou Jorge Amado, teve show com Maria Bethânia e reuniu grandes nomes do mundo das letras, como a jornalista da revista americana New Yorker, Lillian Ross, e a ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, Toni Morris.
Mas nem só de programas culturais é feita a cidade. Incrustada entre a Mata Atlântica e o mar, Parati oferece uma variedade de passeios que vão de visitas de escuna às mais de 50 ilhas e 300 praias a caminhadas para as cachoeiras espalhadas pela mata.
Na trilha do passado
O Forte Defensor Perpétuo e as igrejas Nossa Senhora dos Remédios e Nossa Senhora do Rosário estão entre as construções que mais se destacam no Centro Histórico. Localizado no antigo Morro da Vila Velha, onde a cidade nasceu, o Forte foi erguido em 1703 e era a mais importante das sete fortificações construídas para defender a Baía de Parati de piratas e invasores. Tem uma bela vista da cidade, canhões ingleses e foi transformado em Centro de Artes e Tradições Populares.
A igreja matriz Nossa Senhora dos Remédios foi reconstruída. A atual foi erguida em estilo neoclássico entre 1789 e 1873. Ao lado da matriz, funciona a feira de artesanato da cidade. Já a igreja Nossa Senhora do Rosário foi construída em estilo barroco rococó para receber fiéis escravos, que a ergueram em 1725.
Outra parada imperdível é a Casa da Cultura. A exposição permanente conta a história do Brasil e de Parati através de painéis de serragem. Há também fotos e vídeos com depoimentos de moradores e apreciadores de Parati (em português e inglês) e uma instalação de caixas suspensas com mostras do artesanato caiçara, indígena e contemporâneo.
Passeios de barco
Os passeios de escuna para conhecer as muitas ilhas e praias podem ser reservados no hotel ou no cais. Há também a opção de alugar barcos e lanchas para ter mais privacidade e fazer seu próprio horário e roteiro. As saídas em grupo são mais em conta, mas é preciso fôlego e disposição para enfrentar seis horas em alto-mar. As escunas maiores têm seu próprio músico, que embala a viagem e anima a tripulação ao som de música popular brasileira.
Teatro de bonecos
Ir a Parati e não conhecer o Teatro Espaço é como passar uma temporada Toronto e não visitar A CN Tower. O teatro tem cem lugares e é palco de espetáculos de música, dança e principalmente do teatro de bonecos do grupo Contadores de História, formado por Marcos Caetano Ribas, Rachel Ribas e Inez Petri. O grupo dá vida aos bonecos em espetáculos sem fala que encantam platéias do mundo todo. A trupe é reconhecida e premiada no exterior e já recebeu elogios nas páginas de jornais como Le Monde e The New York Times. O grupo se apresenta regularmente às quartas e sábados (e sextas-feiras nos feriados e na temporada), às 21h. Mais informações no site www.paraty.com.br/teatro.htm.
Trindade
A vila de Trindade tem as praias mais bonitas de Parati e também a maior concentração de hippies sul-americanos por metro quadrado. Alguns moradores dizem que o antigo esconderijo de piratas perdeu seu encanto com a invasão dos turistas nos anos 90 e a pavimentação da estrada, mas ainda há muito o que se ver. A Praia do Cepilho, com ondas que chegam a quatro metros, é reduto de surfistas. As praias dos Ranchos e do Meio são bem tranqüilas na baixa temporada. A grande atração de Trindade é o Cachadaço, uma piscina de pedras que represa a água do mar. O acesso é pela Praia do Meio por trilha perigosa que beira a costa, ou de barcos que partem da Praia dos Ranchos.
Acesso: Trindade fica a 31 quilômetros de Parati, ao sul. De carro, é só seguir a Rio-Santos sentido São Paulo, virar na estrada para Laranjeiras e ficar de olho nas placas indicando Trindade. Uma opção barata são os ônibus e vans que fazem o trajeto da rodoviária de Parati até Trindade.
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