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Brasil em resumo: Fogo cruzado
Por: Silvio Alvarez | Sotaque Brasileiro, Número 15, Primavera 2007

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Silvio Alvarez

O povo brasileiro nem bem havia processado a trágica ocorrência da queda do Boeing da Gol e o colapso no setor aéreo quando foi surpreendido, no dia 28 de dezembro, por uma série de atentados orquestrados por facções criminosas no Rio de Janeiro.

Além de ataques a tiros contra forças policiais, oito homens fortemente armados assaltaram e incendiaram dois ônibus. Oito pessoas morreram carbonizadas. Autoridades fluminenses ainda divergem quanto ao que teria motivado tais ações criminosas: mudanças na política da administração penitenciária, mudança de governo ou em reação às milícias de policiais e ex-policiais que tomam conta de morros e favelas na cidade.

 Ao reassumir o poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o ocorrido como “ato de terrorismo”. Sérgio Cabral (PMDB), novo governador do Rio de Janeiro, contrariou a decisão de sua antecessora, Rosinha Garotinho, ao solicitar ao governo federal o envio imediato da Força Nacional de Segurança ao Estado.

O início do ano também foi marcado pela fúria da natureza. Fortes chuvas causaram inúmeras mortes e deixaram muitos desabrigados em várias regiões do país.

A população da cidade da São Paulo, além de não ser poupada das já costumeiras enchentes deste período, parou no dia 12 de janeiro para acompanhar perplexa outro fato assustador: o desabamento no canteiro de obras da futura Estação Pinheiros, na Zona Oeste. O acidente originou uma cratera que engoliu veículos, deixou 55 casas com risco de desmoronamento e causou a morte de sete pessoas.

Os últimos meses dos brasileiros não foram lá muito fáceis, mesmo para um povo duro na queda como o nosso. 

No cenário político, o destaque foi a posse dos 513 deputados federais e dos 81 senadores eleitos em outubro passado. A cerimônia de posse dos parlamentares, em 1º de fevereiro, fez a festa dos fotógrafos. Não é para menos. A Câmara dos deputados e o Senado deram boas-vindas a figuras, digamos, polêmicas como Clodovil (PTC-SP), Frank Aguiar (PTB-SP) e Fernando Collor (PRTB-AL). Enquanto se desvencilhava dos fotógrafos, Clodovil revelou que a decoração de sua sala, toda verde-e-amarela, vai causar furor. Já o cantor Frank Aguiar, de rabo de cavalo,  disse que não vai decepcionar seus eleitores. O novo senador Fernando Collor comemorou a posse beijando sem parar sua mulher.

O novo presidente da Câmara é o governista Arlindo Chinaglia (PT-SP). Já no Senado, o cargo foi assumido por Renan Calheiros (PMDB-AL). Com base em definições políticas como estas, o presidente Lula anunciará os nomes dos seus ministros.

A cautelosa estratégia política do presidente poderá fazer uma grande diferença no futuro. Lula precisa de tempo e de cartas na manga, com as pastas em aberto, para compor alianças e assim garantir o apoio do Legislativo na hora de aprovar projetos imprescindíveis para o êxito de seu governo. Entre eles, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é o de maior relevância. O plano prevê investimentos de quase R$ 504 bilhões até 2010, com prioridade para a infra-estrutura, como portos e rodovias.

Durante a apresentação do PAC, Lula afirmou que o pacote vai permitir ao país crescer “de forma correta, porém mais acelerada” do que o registrado no seu primeiro governo. “Não vamos entrar na rua Augusta a 120 por hora. O objetivo é acelerar o crescimento sem comprometer a estabilidade", declarou. Em janeiro, ao discursar a respeito do mesmo plano no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente Lula utilizou outra expressão, esta ainda mais popular: “Agora, ou vai ou racha”.

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* Silvio Alvarez é jornalista e artista plástico de colagem.

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