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Portifolio: Mestrando Indio
Por: Bruno Bini Bonfim | Sotaque Brasileiro, Número 15, Primavera 2007

Roda de capoeira. |
Natural de Recife, Paulo Albuquerque – ou Mestrando Índio, como é conhecido – começou a treinar capoeira em 1986 e um ano depois já estava auxiliando seus professores. O reconhecimento veio com a conquista, por três vezes consecutivas, do título de Campeão Brasileiro de Capoeira nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs).
Em 1990, durante uma visita a Rio Branco, no Acre, Mestrando Índio, começou a desenvolver um trabalho social na cidade com a capoeira. O objetivo era ajudar crianças e adolescentes a ter novas perspectivas de vida. Para ganhar a atenção da comunidade, ele e seu grupo faziam apresentações de capoeira no Mercado Municipal de Rio Branco. Aos poucos, o som do berimbau e o gingado dos capoeiristas foram chamando a atenção de quem passava pelo local. Assim começou o primeiro projeto social do capoeirista, que logo ganhou a confiança da comunidade.
Dos trabalhos sociais realizados por ele, o que mais se destacou foi o projeto Capoeira da Gente, uma parceria com o então prefeito Flaviano Melo. O projeto, desenvolvido pelo Centro de Multimeios/Semec, envolveu 20 escolas da rede municipal de ensino e cerca de mil alunos. Segundo Raimunda El-Shawwa, secretária municipal de educação e cultura na época, o projeto Capoeira da Gente foi de grande importância para as crianças pois, além de proporcionar entretenimento, elevou a auto-estima e contribuiu para a formação de hábitos de higiene e saúde entre outros.
“Por falta de apoio da nova administração, o projeto infelizmente não teve continuidade”, lamenta o capoeirista.
Desafios no Canadá
Em 2002, Mestrando Índio foi convidado por um grupo de capoeiristas do Canadá a dar workshops nas cidades de Vancouver, Victoria, Winnipeg e Toronto. O resultado foi tão positivo que ele foi convidado a retornar ao país, desta vez, para ficar. O capoeirista trocou o Brasil por Winnipeg, onde fundou o Grupo Viva Capoeira, uma organização sem fins lucrativos e que promove a cultura brasileira. “Confesso que minha paixão pelos projetos em Rio Branco me prendiam ao Brasil, mas o desejo de superar desafios me fez aceitar a proposta”, conta.
Mestrando Índio mudou-se com sua família para Winnipeg com a missão de difundir a capoeira entre os canadenses. A adaptação dos conceitos da capoeira para a realidade do país foi um desafio. “No Brasil, já nascemos ouvindo samba e remexendo o quadril. O gingado está no sangue. Já os canadenses são mais tímidos e meu primeiro desafio foi conquistar a confiança deles.”
O professor de capoeira diz que conquistou os canadenses ao promover a tradição brasileira sem agredir ou deixar de lado a cultura do Canadá. A receita está dando certo. A cada ano, cresce o número de alunos em sua escola, que hoje tem 50 membros. O grupo faz apresentações em eventos, escolas e universidades.
Em suas aulas, Mestrando Índio trabalha conceitos como a amizade e a auto-estima, valores apreciados pelos canadenses. “Os testemunhos dos alunos confirmam o quanto nossa arte tem influenciado suas vidas. A capoeira se reflete até nos hábitos alimentares e no convívio escolar”, diz. Para o capoeirista, a maior recompensa é saber que o Brasil, apesar de toda a corrupção e violência, ainda tem muito a oferecer para grandes nações como o Canadá.
Festival terá participação brasileira
Quem mora em Winnipeg, Manitoba, terá a oportunidade de conhecer o trabalho do Mestrando Índio e do Grupo Viva Capoeira no Folklorama, um dos maiores festivais culturais da região. O Folklorama acontece todos os anos e reúne pavilhões de vários países, que apresentam aos visitantes sua arte, culinária e danças. O Brasil participou do festival pela primeira vez no ano passado, representado pela Viva Capoeira. Durante os sete dias do evento, o público lotou o ginásio onde ocorreram as apresentações brasileiras. Por dia, cerca de 600 pessoas assistiram às apresentações.
Neste ano, 2007, o Folklorama acontecerá de 5 a 11 de agosto e deve atrair mais de 25 mil pessoas. As performances brasileiras incluem maculelê, coco de roda, forró, samba e capoeira. Para saber mais sobre o evento, visite o site www.folklorama.ca. Informações sobre o Viva Capoeira podem ser obtidas no site www.vivacapoeira.com ou pelo telefone 204-333-2244.
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