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"Supernanny" brasileira
Por: Samantha Shiraishi *| Sotaque Brasileiro, Número 15, Primavera 2007

Para descobrir o segredo de tanto sucesso, a revista Sotaque Brasileiro foi conferir os efeitos da visita da babá da TV à casa de duas famílias paulistas. Um ano depois da intervenção da "Supernanny", a situação continua sob controle.

Cris Poli

É comum ver na rua ou no shopping pais perdidos diante de cenas homéricas de suas crianças manhosas. Não é de se admirar que o programa de TV Supernanny faz sucesso entre famílias do mundo todo: as dificuldades com a educação levam os pais a situações de desespero. Se no passado uma palmadinha bastava e a autoridade dos pais era inquestionável, tudo mudou agora que as mães (e até avós) trabalham e o paradigma de boa educação é outro, favorece a criança e sua liberdade para se desenvolver. Hoje, são raros os pais que conseguem educar os filhos sem sobressaltos e sem recorrer aos sábios conselhos de profissionais de educação, livros de auto-ajuda para pais ou programas de TV. Dentre estes, o mais famoso no momento no Brasil é o Supernanny, exibido pelo SBT aos domingos à tarde. Os DVDs da primeira temporada venderam muito no Natal de 2006 e o livro da educadora Cris Polli, a supernanny brasileira, foi sucesso de vendas. A indústria do aconselhamento para pais, representada pela babá do programa, vive sua melhor fase.

Filhos autoritários

A família da empresária Tamara Rosseti de Oliveira, de Mauá, São Paulo, foi a terceira a aparecer na versão brasileira do programa de TV Supernanny, em abril de 2006. A rotina pesada com Murilo, 7 meses, Nicolas, 3 anos, e Kauana, 5, levava Tamara, 25, a recorrer a gritos e palmadas para tentar fazê-los obedecer. O pai, Carlos Eduardo de Oliveira, 33, passava o dia no trabalho e, em casa, evitava confusões, permitindo tudo que as crianças pedissem. Some-se a este quadro o fato de Kauana ser superdotada e comandar a casa conforme sua vontade.

“A Suppernanny (Cris Polli) ajudou em tudo, reorganizando nossa rotina em detalhes”, conta Tamara. As mamadas noturnas e o xixi na cama acabaram, as refeições passaram a ser um momento agradável e a sobrecarga da mãe diminuiu, pois o pai passou a assumir a educação junto com ela. A união do casal é um dos pilares do método da educadora Cris Polli, repetido à exaustão em seu livro Filhos Autônomos, Filhos Felizes.

“Muitos pais estão perdidos, não sabem como assumir a autoridade ou a responsabilidade na educação dos filhos. Estes pais precisam de ajuda”, diz Cris. Independente dos casais serem brasileiros ou interétnicos, caso de muitas famílias no Canadá, ela afirma que o desafio é um só: entrar num acordo e encontrar um ponto em comum na educação dos filhos. Missão nada impossível, mas que requer muito diálogo, boa vontade e disposição para acertar as diferenças.

Tapinhas permitidos

As diferenças não estão somente dentro do lar. Se morasse no Canadá, a empresária paulista Tamara estaria contrariando a lei, pois perdia o controle e chegava a bater nos filhos. “No Canadá, existem regras a serem seguidas”, conta Shirley Ramalho, brasileira residente em Vancouver, British Columbia, e mãe de Mel, 1 ano, e Ryan, 2, nascidos no país.

“Você só pode bater no bumbum se a criança tiver entre 2 e 12 anos e mesmo assim isso só é permitido se você usar a mão aberta. É recomendado aos pais que, antes de bater, esperem 20 minutos para se acalmar”, conta Shirley. “Não tenho problemas com meus filhos, mas se tivesse, poderia recorrer à vasta rede de apoio à família que existe no Canadá”, explica. A brasileira conta que, na clínica onde seus filhos são vacinados, enfermeiras estão sempre prontas a tirar dúvidas, inclusive as de caráter psicológico. Ela diz que, no país, há uma linha direta 24 horas para dicas de saúde em vários idiomas.

Mas o que fazer quando as crianças é que batem? Este era o dilema de Manoel Felipe Martins, 15 anos, de Cruzeiro, São Paulo. O adolescente era agredido pelos irmãos mais novos, Kleber Júnior, 5, e Lucas, 4, filhos do segundo casamento da mãe. As crianças não tinham uma rotina definida e batiam em Manoel quando ele tentava intervir nas brigas e traquinagens. Sem poder reagir, Manoel ainda levava bronca da mãe, Karla Martins, 35. A família também teve sua transformação apresentada no programa Supernanny, que ajudou Kleber e Lucas a viver em harmonia com o irmão adolescente. Hoje, eles fazem refeições em família e tem horário de sono regular, outros pontos importantes da metodologia da Supernanny brasileira.

Amor e limites

A educadora Cris Polli ressalta que cada família tem suas características e uma história. Por isso, quando ela entra nas casas, planeja cada método com muito cuidado. “O que tento resgatar é a qualidade do tempo que pais e filhos passam juntos e as refeições em família”, diz Cris, que conta com a ajuda de uma equipe multidisciplinar.

Quando perguntadas por que as mudanças recomendadas por Cris continuam dando certo depois que ela vai embora, as duas famílias respondem que o amor e a firmeza com que a babá trata as famílias são o segredo do sucesso de seu método.

A educadora afirma que as famílias de hoje têm necessidade de uma orientação para trazer unidade, harmonia, ordem, amor e disciplina para seus lares. “A sociedade precisa resgatar princípios morais básicos que se perderam com o tempo e aplicá-los no dia-a-dia.”

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* Samantha Shiraishi é editora do site www.desabafodemae.com.br, uma comunidade de mães e pais na Internet que tem a missão de incentivar a cultura infantil.

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