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Turismo Brasil: Itacaré
Refúgio de paz e beleza na Bahia

Texto/Fotos por: Karla Rondon Prado | Sotaque Brasileiro, Numero 3, Inverno 2003

Quer passear numa trilha e matar a sede catando caju caído no chão? Surfar na melhor onda da Bahia? Ver o pôr do sol por trás de uma parede de coqueiros? Fazer rapel? Andar de canoa? Tomar sol nu, sem impressionar ninguém? Atravessar um mangue e desembocar num rio de várias cores que te leva para o mar?

florianopolis

São muitas perguntas que parecem sonho e a resposta a todas elas é uma só: Itacaré. A 65km de Ilhéus, a cidade ganhou uma estrada asfaltada há cinco anos, abrindo suas portas para a civilização. E ela veio em todas as suas formas: surfistas, hippies, alternativos, seres urbanos, que se hospedam num dois dois resorts do paraíso. Depois da descoberta, a chave do tesouro é uma só: escolher uma data perdida no calendário e se jogar por lá, como se o tempo houvesse parado.

Relógio? Para que? Sandálias, só havaianas – aquelas genuinamente brasileiras. Ter paz em Itacaré é fácil. Não à toa, muitos casais se perderam por lá. Tem alemã casada com baiano, francês de olho nas nativas, cubana com paulista... Alguns abriram os seus negócios, outros simplesmente vivem em férias prolongadas. São 40 quilômetros de praias, enseadas desertas. Itacarezinho, por exemplo, de pequeno só tem o nome: 4km de areia, com fazendas de coqueirais atrás; Havaizinho parece um paraíso perdido de filme, com recifes e co queiros; Engenhoca requer meia hora de caminhada em mata densa e é outro point de surfe da região; Jeribucaçu é a luz no fim do túnel: é onde desemboca o rio de mesmo nome, depois de uma caminhada num mangue. Essas praias em geral ficam vazias o ano todo e o acesso até elas geralmente é feito em veículos 4x4 das agências de ecoturismo da cidade. Há também passeios para a Cachoeira do Tijuípe e pelo Rio das Contas.

Próximas à vila e à Praia das Conchas, que foi toda loteada para a construção de dezenas de pousadas a preços razoáveis, ficam praias igualmente belas e para as quais é possível ir com uma rápida caminhada. A primeira delas é Resende, que já foi chamada de "praia do topless" e é protegida por uma barreira de coqueiros. O ideal é fazer hora por lá antes e depois da Tiririca, o pico das boas ondas, onde acontece uma etapa do Circuito Brasileiro de Surfe Profissional. Por lá há chuveiro e o quiosque da dona Fafá, para se tomar uma cervejinha, coco gelado ou caipirinha feita no capricho, com cachacinha baiana. Caminhar até Prainhas, eleita pelo Guia Quatro Rodas e pelo tenista Gustavo Kuerten, entre outras personalidades, a praia mais bonita do Brasil, é um alimento obrigatório para a alma. O pôr do sol pode ser de volta à Resende, comendo um pão caseiro de goiaba ou de coco, vendido por uma ambulante que passa todos os dias na hora em que a bola vermelha se esconde atrás
das folhas de coqueiro. Pôr do sol menos alternativo que esse só o point de azaração da Praia das Conchas, a Ponta do Xaréu: todo mundo vai.

À noite, não falta opção para quem quer comer bem. O Restaurante é o melhor de todos. Fica no caminho das praias e é lá que Sandra prepara um inesquecível peixe na chapa com banana da terra, que lembra o tepanyaki japonês. Igualmente prazeroso é o estrogonofe de filés de lagosta, quase caramelados, servido com batata gratinada. Siri catado, uma espécie de casquinha de siri que vem só com a pura carne de siri desfiada, é entrada certa em qualquer lugar. No Berimbau, come-se o melhor bobó de camarão de Itacaré, um perfeito pós-praia; Na Tia Deth, com a ajuda do filho do proprietária, o simpático Sabiá, a pedida é moqueca ou o PF (prato feito), que é da melhor qualidade: vem arroz, feijão cremoso, farofa de manteiga, peixe frito e salada. A sofisticação de um jantar à luz de velas é a pedida do Mediterrâneo. É um dos mais caros, mas tem uma boa carta de vinhos e serve deliciosas massas, como o rigatone de abóbora ao molho de manteiga e sálvia. A pizzaria Boca do Forno (ou Beco das Flores) pertence a um casal gay e tem a preocupação com os mínimos detalhes. É o lugar mais bem transado de Itacaré, só peca pelo atendimento "baiano globalizado" - diferente dos outros lugares, o serviço é rápido e algo impessoal. O fim de noite é no forró do canto da Praia das Conchas, onde as turistas de São Paulo e Rio caem de amores pelos nativos e suas dreadlocks.

Dicas:

-Evite ir às praias distantes sem guia e prefira aqueles das agencias locais.

-Fique pelo menos uma semana, para dar tempo de conhecer as praias e fazer os passeios.

-Leve dinheiro vivo (trocado!), cheque ou cartão. Ninguém tem troco e o único banco que tem por lá é um banco postal do Bradesco.

-Em geral, a chuva cai de julho a setembro. Prefira os outros períodos e evite os feriadões, quando o lugar fica lotado de turistas da região.

-Leve repelente, short, camiseta e um casaquinho leve para o fim de noite. As sandálias do tipo papete são indicadas para atravessar rios e trilhas.

Como chegar: Tam e Nordeste voam diariamente para Ilhéus, saindo do Rio e São Paulo. A rodovia até Itacaré é nova e o trajeto pode ser feito em vans credenciadas ou de ônibus. As agências paulistas Freeway, Ambiental e Venturas & Aventuras têm pacotes de oito dias, com passeios inclusos.

Mais informações: www.Itacaré.com.br

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