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MPB Bem Representada no Canadá
Por: Teka Silveira (Colaborou neste artigo Luciana Andrade) | Sotaque Brasileiro, Numero 1, Primavera 2004

se existe um fato constatado há muito tempo e que ninguém discute é que as vozes femininas da MPB são um grande presente para nossos ouvidos. De Elis Regina a Marisa Monte, passando por Alcione, Zizi Possi, Leila Pinheiro, Ana Carolina, Cássia Eller ou Gal Costa, elas fazem parte da vida da maioria dos brasileiros. E não são somente as consagradas ou aquelas que a mídia apresenta em cada estação, não! Existem muitos novos talentos longe dos holofotes e, ainda, as cantoras que decidiram "cair na estrada" fora do Brasil.

Esta edição de primavera da revista Sotaque Brasileiro mexe com a sensibilidade dos leitores e apresenta os perfis de Mônica Freire (Montreal), Patricia Borges (Vancouver), Guiomar Campbell, Rosângela Cabral e Cibelle Iglesias  (Toronto). Elas são verdadeiras representantes do que de melhor a mulher brasileira sabe fazer cantando. Estas artistas saíram do país em busca de novas oportunidades e reconhecimento. Com muita personalidade, vontade de vencer e, claro, lindas vozes, elas são as musas da música brasileira  no Canadá.

Guiomar Campbell - Para todas as culturas

Desde o final dos anos 80, a mineira Guiomar Campbell trabalha com música em Toronto. Eclética e irriquieta, Guiomar já participou de bandas de diferentes estilos, mas que sempre privilegiavam o ritmo afro e o balanço brasileiro.
Os primeiros passos aconteceram aos 12 anos de idade, quando começou a participar de shows de rádio e festivais de música brasileira em Juiz de Fora, sua terra natal. No Canadá, conheceu o guitarrista Colin Campbell, pessoa responsável pela introdução do jazz em sua vida e que, mais tarde, tornou-se seu marido. Hoje, Guiomar canta muita bossa e samba. Junto com a Banda Parabólica, apresenta um som altamente criativo, cheio de suingue, numa fusão de ritmos latinos e afro-brasileiros.         

Guiomar é múltipla: toca vários instrumentos, dança, compõe e ainda trabalha com terapias alternativas. Ela ressalta a importância de apresentar-se em diversas regiões do Canadá,  para um público diversificado e multicultural.  “É contagiante tocar a música brasileira. As pessoas se identificam rapidamente com nosso ritmo e a reação é sempre positiva. Observo o respeito e a admiração que todos têm pela sofisticação e complexidade de nossos autores", diz Guiomar. 

Na agenda, apresentações em espaços importantes e para grandes platéias, como o "Festival de Jazz de Ottawa" e o "Festivalíssimo", em Montreal. Em Toronto, exibiu-se várias vezes no Harbourfront Centre e no grande evento "Global Divas", que ocorreu no Bamboo-by-the-Lake, junto com a famosa flautista Jane Bunnett.   

Cibelle Iglesias - A performática

Há quase dois anos em Toronto, a mineira que foi criada em São Paulo ainda está em fase de descobertas e expectativas em sua carreira de cantora. Afinal, essa ex-bancária nunca imaginou enfrentar um grande público e, após encantar nos videokês da vida, hoje é estrela em ascensão da MPB na grande metrópole canadense. Cibelle costumava participar das noites brasileiras nas casas noturnas do eixo da Dundas Street (área predominantemente portuguesa). Agradava tanto que os cantores pediam frequentemente que interpretasse uma ou duas músicas, fato que sempre mexia com a platéia. O que iniciou como um hobby hoje é uma profissão e cada vez mais estimula a cantora a aprimorar-se. Dona de uma voz  forte, com vários recursos e conhecedora da música brasileira,  Cibelle salienta: "admiro cantores que trazem clássicos e antigas canções numa nova versão". Cibelle tem ainda uma relação lúdica com a música: ela consegue brincar com o ato de cantar, surpreende a cada canção e o público sente-se cativado pelo seu jeito alegre e performático. Suas apresentações são cheias de brilho e exuberância. Sendo a titular da banda Sambacana, trouxe consigo a desinibição e o talento de uma mulher que busca seu lugar ao sol. Quem não teve ainda a oportunidade de assistir a um show de Cibelle,  não sabe o que está perdendo...

Rosângela Cabral - Ela é carioca, ela é carioca...       

Aos 9 anos, Rosângela Cabral aumentava o volume do rádio, fingia que um cabo de vassoura era seu microfone e que as flores de sua mãe eram seu público. E cantava, cantava, cantava muito. Atualmente, a carioca interpreta algumas canções da época de menina e é aplaudida com entusiasmo por platéias de verdade. No Brasil, ela nunca dedicou-se profissionalmente à música mas, desde que chegou ao Canadá, há quase 4 anos, não parou de cantar. Rô, como às vezes é chamada, possui carisma, talento e voz que fazem qualquer um viajar  pelos caminhos da MPB. Versátil e aprimorando-se a cada show, ela iniciou a carreira internacional nos palcos do Harbourfront Centre, em Toronto, ao lado da Escola de Samba de Toronto e com um grande grupo de ritmistas.

De forma simultânea, Rosângela começou a cantar em bandas com poucos componentes e repertórios diferenciados, como a Banda 40 Graus (ritmos nordestinos e MPB em geral) e a Banda Wave (que destaca a Bossa Nova de Djavan, Gonzaguinha, João Bosco e outros ícones da MPB). Em pouco tempo, acabou se rendendo a sua paixão e se dedicou com afinco às aulas de canto por dois anos.

Com a banda Sambacana, a carioca abriu o Festival de Halifax (Nova Scotia), onde ela e o ex-vocalista Dinho fizeram sucesso instantâneo. Outro  evento marcante foi o "Canada Day" de 2003, quando se apresentou com a banda Wave no Harbourfront Centre (Toronto), com o show transmitido pela rádio CBC. Tamanho reconhe-cimento deu à cantora uma alegria ímpar. No último setembro foi lançado no Canadá o documentário "We Are Samba", onde ela é um dos destaques e conta um pouquinho de sua vida. "Mesmo longe do meu país eu sinto como ele está próximo toda a vez que canto e divulgo a MPB. Para mim isso é o poder de Deus na minha vida", declara Rosângela.

Mônica Freire - O que essa menina baiana tem?

Faz tempo que a estrela de Mônica Freire não pára de brilhar. Desde quando morava em Salvador, onde substituiu Daniela Mercury nos vocais do Bloco Pinel, até seus quase dez anos de Canadá, onde vive na região de Montreal, a baiana tem espaço garantido junto ao público e à mídia. Nos anos de 96 e 97 lançou trabalhos no Japão e, quando visitou o país, foi tratada como celebridade, distribuindo autógrafos e tendo suas músicas tocadas com frequência nas estações de rádio. Além do Japão, já fez shows nos EUA, Itália, França, Suécia, México, Caribe e, claro em diversas regiões do Canadá. Recentemente, Mônica teve seu talento mais uma vez reconhecido quando fez a abertura do show da cabo-verdiana Cesária Évora, no Festival Internacional de Jazz de Montreal, que aconteceu em julho 2003. Além da voz forte e sensual, Mônica toca guitarra e compõe suas próprias canções. Quando interpreta o conterrâneo Caetano Veloso ou qualquer pérola da bossa nova, ela também acerta em cheio.

Para  2004 Mônica estará lançando seu novo CD, produzido em Quebec, com gravações reali-zadas no Brasil. A constante busca da cantora é por uma música menos tradicional. Tambores e  batidas eletrônicas fazem parte de seu estilo. Mônica ainda surpreende-se quando jornalistas canadenses fazem rasgados elogios às suas performances, comparando-a com grandes cantoras brasileiras. Para ela, o momento é de desafio e apesar de ter a confiança de quem nasceu para brilhar, prefere trilhar seu caminho step-by-step.

Patrícia Borges - Das leis para os microfones

A mineira Patrícia Borges chegou em Vancouver em 2001, decidida a mudar de  vida. Ex-advogada tributária de Uberlândia, Patrícia soltou a voz pela primeira vez no Canadá, na banda brasileira Sambaqui. A banda acabou no ano passado mas Patrícia continuou a carreira. Atualmente ela pode ser vista e ouvida no restaurante Exótico Café Brasil, nas noites de quarta e sexta-feira. No repertório, bossa nova e samba. "Eu sei que por enquanto não consigo viver somente de música, mas tenho este sonho para realizar e sei que conseguirei", diz Patricia, que elegeu Vancouver como sua cidade e não pretende sair tão rápido. “Gosto de cantar acompanhada de um violão, com amigos assistindo e mostando um pouco da música brasileira”, confessa.

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