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Turismo Brasil: Minas Gerais
Por: Renata Almeida | Sotaque Brasileiro, Numero 4, Primavera 2004

História, cultura e ecoturismo em um só lugar. Minas Gerais é reconhecida no turismo nacional e internacional  por seus belos conjuntos arquitetônicos e trabalhos de artistas de renome  como Mestre Athayde e Aleijadinho, famosos pelas esculturas e pinturas sacras. Ouro Preto e Diamantina, Patrimônios Históricos da Humanidade, reforçam esta base cultural. Passear pelas ladeiras de calçamentos rústicos admirando as Montanhas de Minas, aviva a memória de um tempo de riquezas de ouro e diamantes lavrados às custas da mão-de-obra escrava africana.

Minas Gerais
Photo: Estrada Real - Fazenda da pedra em Santana dos Montes.

Chica da Silva, em Diamantina, e Chico Rei, em Ouro Preto, marcaram a história porque suplantaram a condição de escravos para exercerem influências. Chica da Silva foi amante de rico e próspero senhor branco, João Fernandes com quem teve treze filhos legalmente reconhecidos. Encanta historiadores e curiosos por seu charme e estilo particular; vivendo no luxo e na fortaleza de um amor autêntico, afrontou a sociedade escravagista. Chico Rei já era rei no Congo, África, quando foi capturado e submtido à servidão pelos portugueses, no Brasil. Mas, sem perder sua ascendência, reinou junto aos cativos em Vila Rica (atual Ouro Preto) e juntando ouro das minas, alforriou os de sua tribo e muitos outros mais.

Mas, se o passado colonial de Minas Gerias tem a sua identidade turística, o futuro aponta para novidades onde a Natureza dá o tom. Minas Gerais é um estado com enorme variedade de flora, fauna e paisagens cênicas onde sete por cento de seu território já se encontra legalmente preservado em Unidades de Conservação, dentre  parques nacionais, estaduais e reservas particulares. Quem já passou pela Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira, certamente se deliciou em algumas de suas cachoeira de águas frias e cristalinas, pisando em seixos arredondados trazidos montanha abaixo pelas forças das águas.

Na Serra do Cipó, região de rara beleza, riquezas pouco perceptíveis como as plantinhas carnívoras que forram as partes altas, estimulam visitas de pesquisadores e estudantes, para maior conhecimentos das espécies e estudos de possibilidades comerciais. Ainda na Serra do Espinhaço, a alegria das florezinhas Sempre-Vivas se irradia, pelas exportações cresentes,  para muitas regiões do Brasil e do mundo. Esta atividade extrativista dá suporte a muitas famílias locais que aproveitam seus conhecimentos dos diversos tipos de flores e suas épocas de floração, para coletarem toneladas do produto. O comércio das Sempre-Vivas cresceu de tal forma que hoje, já há mobilização entre turistas, ambientalistas e organizações não-governamentais em tornar sustentável esta atividade, evitando a possibilidade de extinção de algumas espécies, em busca de maior conservação desta riqueza.

O Parque Estadual do Rio Doce situa-se no Vale do Aço, região de intensa atividade econômica e com graves problemas de degradação ambiental. São dezenas de  lagos, o que lhe confere a consição de segunda maior área aquática do Brasil, perdendo apenas para o Pantanal. O Parque Nacional do Caparaó abriga o Pico da Bandeira que, com seus 2.889 metros de altitude, atrai turistas de todos os estados. Todos estes parques somam pontos para Minas Gerais onde cresce continuamente o tipo de turismo que concilia as riquezas naturais às riquezas histórico-culturais.

Pequenos grupos de ecoturistas buscam usufruir do bem estar junto à natureza e por isso, valorizam áreas bem conservadas e que retratam o ambiente natural mais primitivo. São muitos os que se aventuram em caminhadas, observações de pássaros, contemplação de paisagens, descoberta de pegadas de animais nas trilhas. Mas, não somente a natureza desperta interesse neste turista. Há também o interesse pela cultura local, o conhecimento de tradições que conferem identidade própria ao lugar como a culinária, música ou artesanato.

O ecoturista busca informações e serviços de qualidade mas prefere o passeio com pessoas afins de forma a favorecer  suas vivências na região. Pode dormir em albergues, pousadas ou pequenos hotéis, mas busca no ambiente externo a sua fonte de divertimento e satisfação. Histórias como as de Chica da Silva e Chico Rei são motivos de boa prosa em restaurantes rústicos e grandes mesas das pousadas, relax gostoso após uma boa caminhada e um trago  “para estimular o apetite” de algumas das famosas cachaças mineiras.

Um bom  cardápio com base na cozinha mineira também faz parte do passeio pela mescla de culturas e tradições: o famoso “pão de queijo” da entrada, tem como matéria-prima básica o polvilho, de origem indígena; pratos principais como o frango com quiabo refletem a cultura africana e  os deliciosos doces como a ambrosia, o lado português.

Então, já sabe, na hora de aprontar as malas para um passeio por Minas Gerais, não podem faltar as roupas adequadas para percorrer as trilhas, os sapatos confortáveis e os binóculos de observação da fauna. Mas também, não se esqueça da roupa de banho, do chapéu nem do filtro solar para os diversos banhos nos rios e cachoeiras do caminho. Só não se esqueça de levar vestimentas adequadas às visitas a museus, monumentos religiosos e restaurantes onde as deliciosas serestas e comidas típicas regadas à  licor de frutas são sempre finalizadas pelo delicioso cafezinho de primeira qualidade.

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