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Brasileiros em Calgary
Por Elizia Teixeira | Sotaque Brasileiro, Número 5, Verão 2004

brasileiros em calgary
Picnic de brasileiros em Calgary. Foto Elizia.

 

 

 

 

 

 

 

 

A comunidade brasileira em Calgary é pequena mas muito vibrante e cheia de entusiasmo. Segundo dados do censo canadense - "Ethnocultural Portrait of Canada" e "Immigrants and Citizenship" - em 2001 não mais de 500 brasileiros moravam na região. Hoje talvez sejamos um pouco mais.

Vindos de diversas regiões do Brasil, e por diversas razões, os brasileiros geralmente passam por uma sequência natural de adaptação, o que inclui o fato de terem que enfrentar um inverno bastante prolongado. Quando se pode escolher, a melhor época de chegada é depois do inverno, para se ter mais tempo de se preparar... Vestir-se "em camadas" pode ser uma das primeiras coisas importantes a se aprender para enfrentar as mudanças bruscas de temperatura. O "Chinook", vento quente no meio do inverno, que pode fazer a temperatura de -10°C subir para o oposto da escala às vezes no mesmo dia, é muito bem recebido por todos.

O inverno prolongado é compensado de alguma forma pelos belos dias ensolarados. Em dias claros a paisagem fica mais bonita, com as montanhas rochosas compondo, ao fundo, a silhueta do centro de Calgary, com seu conglomerado de modernos prédios espelhados, de escritórios centrais de algumas das companhias mais importantes, economicamente, do Canadá, principalmente da área de petróleo.

Quanto à questão econômica, é interessante conversar com brasileiros a respeito do que os trouxe a Calgary, e descobrir que alguns chegaram aqui depois de fazerem uma pesquisa de comparação de condições de vida em várias outras cidades do Canadá. O fato de Alberta ser a única província do Canadá que não cobra imposto sobre vendas, pode servir como indicador de sua força estrutural e econômica.

Os brasileiros em Calgary têm uma associação. A Brazilian Community Association of Alberta (BCAAB www.bcaab.org) foi formada em setembro de 2003 e já teve sua primeira diretoria eleita: Paulo Bonazzi, Paulo Alves, Wania Wagner, e Elisia Teixeira. A BCAAB, com ajuda de voluntários, já promoveu muitas atividades com sucesso nos seus 8 meses de existência: Festa da Independência estilo jantar dançante, animados pela Banda do Luís Emílio; uma Feijoada muito suculenta preparada por voluntários sob coordenação da Helena Warkentin; Festa de Ano Novo com muita comida boa e música da Banda do Emílio com destaque para a Bonnie Lawrance na flauta; e em fevereiro o nosso primeiro Carnaval em Calgary foi um sucesso espetacular com lotação esgotada de 500 pessoas. A animação foi grande sob o ritmo brasileiro da Banda D'Aldeia de Toronto, liderada pelo Maninho, carioca que cresceu no meio das escolas de samba, e com os toques especiais do Rico e Welber, e no teclado o Ricardo Fonseca da comunidade portuguesa de Calgary. Em junho a pedida é sempre a Festa Junina e o churrasco bem típico brasileiro. Apoio e patrocínio de empresas são fundamentais para a realização destes eventos. A "Magic Tours" do George Romberg, merece destaque especial pela ajuda para trazer músicos brasileiros para se apresentarem nos eventos da associação.

Os brasileiros aqui em Calgary também participam de atividades apreciadas pelos canadenses, como caminhadas. São muitas as trilhas existentes nas Rocky Mountains com um cenário incrível que atrai turistas de muitos países no Parque Nacional de Banff, Lake Louise, e região de Kananaskis, também nas Montanhas Rochosas, mas ainda não tão afetada pela industria do turismo.

Descer o Bow River, rio que corta a cidade, deve ser feito pelo menos uma vez. As ciclovias de Calgary são também atrativas a passeios curtos na cidade, ou mesmo usadas para transporte.

Entre os brasileiros em Calgary, tem os que chegaram há mais de 20 anos, mas a maioria veio nos últimos 10 anos, e claro, a todo ano tem mais brasileiro chegando. Muitos compõem também uma população flutuante como é o caso de estudantes e outros com atividades profissionais temporárias.

Romeu Forezli, paulista há 34 anos no Canadá, desde que veio de Ottawa para Calgary, se preocupa em manter contato com outros brasileiros, sendo presença ativa na promoção de atividades artísticas e esportivas para reunir brasileiros. Já participou de teatro e comerciais para televisão canadense, como no comercial do Subway onde aparece tomando sopa, e que sempre é repetido durante o inverno. Ainda acredita que vai realizar um de seus sonhos de formar um grupo de teatro aqui em Calgary para promover e divulgar nossa cultura. O futebol também sempre foi sua paixão e já foi treinador de crianças durante muito tempo. Atualmente está liderando uma das atividades que vem atraindo cada vez mais pessoas e parece estar se tornando um ponto de encontro semanal, a pelada da BCAAB.

A Raimunda Jackson, Yone Dorosh, Boris Celser, Jaci da Silva, Socorro Ducheck, Paulo Alves, Miguel Forezli e Oswaldo Reinert também estão na região de Calgary há mais de 20 anos e são sempre receptivos a passarem suas experiências quando abordados por recém-chegados.

Um destaque especial vai para a Annette Hester, economista pela universidade de Calgary que, quando diretora do centro de estudos latino americanos desta universidade, e agora em sua capacidade de consultora para projetos especiais, promove muitas atividades para divulgar e fortalecer os vínculos do Canadá com o Brasil. Em 2003 foi criada a cadeira: "The Canada Visiting Research Chair in Brazil Studies" que sem dúvida reflete seus esforços neste sentido. Esta cadeira é oferecida a um acadêmico brasileiro de destaque, para a participação em conferências e ensino em quatro universidades canadenses, entre as quais a de Calgary. O primeiro ocupante desta posição foi o Dr. Marcos Sawaya Jank da Economia da USP e agora em maio o Dr. Germano de Paula, economista de Universidade de Uberlândia estará fazendo uma turnê do Canadá discutindo o setor siderúrgico.

Entre os chegados mais recentemente, a Elaine Costeira, brasileira de Macapá, há 9 anos veio ao Canadá para estudar letras, e hoje é professora da rede pública de Calgary. Ela ressalta seu prazer em ensinar aos alunos da 8ª serie do 2º grau uma unidade sobre o Brasil. Por mais de 10 anos esta unidade de 25 a 30 horas, é parte do currículo oficial de estudos sociais em Alberta nas escolas da rede pública e católica, e cobre aspectos de geografia, história, economia, política e sócio-cultural. Assim, em Alberta as chances de encontrarmos canadenses que confundem a capital do Brasil e não sabem que língua falamos são bem menores que em outros lugares.

Ainda na área de ensino em Alberta, a Barbara Oliveira e o Malcom Lim, através de sua companhia "Pulse Drum and Dance", ensinam dança e percussão para alunos de todas as séries. Malcom também dirige a Escola de Samba de Calgary que conta com 20 integrantes, com vocal e dança sob responsabilidade da Barbara. Jesse Cook é um dos destaques das suas apresentações em shows. Malcom Lim, canadense de descendência chinesa, primeiro se apaixonou pelo forte e rico ritmo brasileiro, e em seguida pela Barbara. Foi no Rio, quando participava de pesquisa e estudo da percussão brasileira, que conheceu Barbara, carioca sambista, que já foi também vocalista de uma banda na Alemanha. Barbara também dá aulas de dança brasileira em vários stúdios de dança na cidade.

Estudar inglês e se aperfeiçoar na sua área de estudo, trabalho e/ou pesquisa são as razões principais para encontrarmos estudantes brasileiros que temporariamente se estabelecem por aqui trazendo muita energia e novidades da pátria amada.
A Stella Zamuner, bióloga com PhD pela USP, atualmente está fazendo pós-doutorado a convite de um pesquisador da Faculdade de Medicina. Como a Stella, tem vários outros brasileiros que vieram para Calgary atraídos por algum aspecto da sua área profissional e assim obter um conhecimento que esperam ser valioso por ocasião do retorno ao Brasil. A Universidade de Calgary oferece muitas oportunidades para iniciativas que de alguma forma contribuam para fortalecer o vínculo de colaboração acadêmica com universidades brasileiras.

Hendrik Kraay, canadense que há 20 anos atrás morou no Brasil quando participava de um intercâmbio do Rotary, hoje é professor de história do Brasil para alunos de graduação da Universidade de Calgary. Ele é um dos dois historiadores do Brasil atualmente no Canadá.

Profissionals formados no Brasil também são atraídos pela possibilidade de acesso ao ensino oferecido pela universidade de Calgary, assim decidem voltar a estudar, em alguns casos para obter sua licença profissional mas também "experiência canadense" e "network". O Rodrigo Gatti, paulista de Campinas, formado em engenharia civil no Brasil, resolveu recomeçar sua vida por aqui através da universidade, e está fazendo alguns cursos de especialização que também ajudam na sua preparação para adquirir sua licença profissional.

O Simão Tuma, engenheiro da Petrobrás, é um exemplo de brasileiros em Calgary por motivos profissionais. Está acompanhando a construção de um projeto para processamento de gás de petróleo a ser instalada em Natal, RN, a qual aumentará a produção de gás de cozinha (GLP) para o mercado do nordeste do Brasil.

As áreas de engenharia, geologia e informática parecem se destacar como formação profissional dos brasileiros em Calgary. Mas também tem os tradutores inglês-português e os da área de saúde, como fisioterapia. Alguns também resolvem começar o seu próprio negócio na sua área de interesse. O Marcelo Pinheiro, carioca, gerente de projetos, há 7 anos no Canadá, recentemente se estabeleceu como fotógrafo profissional, já tendo obtido alguns destaques como publicações em revistas da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Na área de entretenimento, a CKUA (www.ckua.org) que é uma rádio mantida pelos ouvintes, é prestigiada pelos brasileiros por incluir mésica brasileira na sua excelente programação de "world music".

E a nossa capoeira também deixa os canadenses de Calgary admirados e excitados para aprender os passos ligeiros e espertos desta expressão bem marcante da cultura brasileira. O instrutor Sapo, de Recife, tem se esforçado para ensinar toda esta arte sob responsabilidade do mestre Eclilson de Vancouver. A Capoeira Aché Brasil Calgary (http://www.capoeiracalgary.ca) esté crescendo a cada dia, e conta atualmente com 40 alunos.

Restaurantes latinos como o Conga Room e o Latin Corner incluem pratos brasileiros no seu menu. O musico Luís Emílio, cubano que morou no Brasil e adora a música brasileira, se apresenta no Latin Corner regularmente, e sempre inclui a nossa música no seu repertório. A idéia de uma "Bossa Nova Night" pode em breve acontecer.

Não existe um restaurante brasileiro em Calgary, mas isto pode mudar em breve pois segundo alguns rumores parece ter um grupo seriamente interessado em preencher este vazio.

Recentemente a equipe de reportagem do Fantástico (Rede Globo), num tour pelo Canadá, incluiu uma visita às atrações turísticas nas proximidades de Calgary. Além de mostrar as Montanhas Rochosas, vão ressaltar também o parque dos dinossauros em Brooks e o museu dos dinossauros em Dhrumheller.

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