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O Tempo Não Pára: Cazuza retorna na telona
Sotaque Brasileiro, Numero 5, Verão 2004

Em 4 de abril, Agenor Miranda de Araújo Neto, completaria 46 anos. Porém, com a morte precoce, aos 32 anos virou mito. Cazuza: O Tempo Não Pára, longa-metragem de Sandra Werneck (Amores Possíveis, 2000; Pequeno Dicionário Amoroso, 1996), baseado no livro "Cazuza: só as mães são felizes", de Lucinha Araújo, está com estréia prevista para o dia 11 de junho no Brasil.

cazuza
Cazuza. Morte precoce eterniza o mito.

Daniel Oliveira, 26 anos, dá vida ao cantor, selecionado entre 40 atores e mais de 300 fitas de vídeo-testes. Os oito pré-selecionados pela diretora foram apresentados aos pais do cantor: Daniel foi escolhido pela "atitude Cazuza". Ao construir a cena onde lia o diagnóstico de que estaria com HIV, o ator mineiro engoliu o papel.

O filme, depois de onze versões no roteiro assinado por Victor Navas e Fernando Bonasi (Carandiru), tem o aval da mãe, Lucinha Araújo, presidente da Fundação Viva Cazuza. Cazuza além de deixar uma obra musical, repleta de poesia e rebeldia, colaborou corajosamente para a discussão sobre a AIDS no país, com sua superexposição na mídia. Depois de virar capa de revista semanal, assumindo sua condição de soro positivo, governo e sociedade tiveram que encarar de frente a propagação da doença e criar políticas públicas reconhecidas internacionalmente. Hoje no Brasil, exames e medicação são gratuitas para todos. Este é um dos lados da vida de Cazuza. O outro é a segura contribuição musical do artista no cenário da música popular brasileira.

O resultado até poderia ser diferente, não fosse ele um cara talentoso, mas o ambiente foi propício. Cazuza nasceu em família musical, seu pai produtor famoso e criador da gravadora Som Livre, sempre recebeu os maiores compositores e artistas em casa. Nesse cenário, Cazuza aproveitou e cresceu ouvindo entre outros, o gaúcho Lupicínio Rodrigues, assim como o baiano Caetano Veloso, Noel Rosa e os Rolings Stones. Com uma vida familiar tranquila, o rebelde sem causa buscou seu espaço. Na música e na postura artística. Do Barão Vermelho a carreira solo, tudo em apenas sete anos, o cantor que nasceu numa sexta-feira santa, nunca se acomodou, transgrediu em tudo que fazia: discurso, sexo, drogas e poesia. Produziu mais de 300 canções, 80 ainda inéditas.

É certo que além de emocionar as platéias, o filme dará fôlego para a agenda que ainda preocupa a todos: o avanço da AIDS. O filme também irá contribuir para o revival dos anos 80, já presente na moda e na internet. Nesse período o Brasil reconstruía sua democracia, apesar da inflação (a chamada década perdida), e a MPB explodia com o rock nacional: Titãs, Paralamas, Kid Abelha, Renato Russo e a Legião Urbana, entre tantos.

Cazuza, o filme, cria expectativas não só para os fãs do cantor. Com a retomada da produção cinematográfica no país, com sucesso de crítica e premiações internacionais (ou indicações importantes) tem no forte apelo emocional da vida e música de Cazuza, um elemento importante para o reforço da volta do público brasileiro às salas, prestigiando o cinema nacional. E mais que isso, jovens como o ator Daniel Oliveira, que até então desconhecia a obra do cantor, serão tentados a redescobrir a musicalidade do autor de O Tempo Não Pára. ( Jânio Ayres, jornalista)

Cazuza , o tempo não pára (2004)
Elenco: Daniel de Oliveira (Cazuza); Pedro Paulo Rangel (Ezequiel Neves); Marieta Severo (Lucinha Araújo); Reginaldo Faria (João Araújo); Cadu Fávero (Roberto Frejat); Débora Falabella (Denise Dumont).
Equipe Técnica: Sandra Werneck (Diretora); Paulo Halm, Fernanda Young, Victor Navas, Fernando Bonassi (Roteiristas); Daniel Filho (Produtor) - baseado no livro `Cazuza: Só as Mães São Felizes`, de Lucinha Araújo.
ASSISTA OUTRAS BIOGRAFIAS
Paulinho da Viola: meu tempo é hoje (2003. Direção de Izabel Jaguaribe) - O documentário traça um perfil afetivo do cantor e compositor: seus mestres e amigos e suas influências musicais.

Madame Satã (2002. Direção de Karim Ainouz). Com Lázaro Ramos ( Satã) e Marcélia Cartaxo. Rio de Janeiro, 1932, no bairro da Lapa vive encarcerado na prisão João Francisco, artista transformista que sonha em se tornar um grande astro dos palcos. É neste ambiente que João Francisco irá se transformar no mito Madame Satã.

Nelson Gonçalves (2001. Direção de Elizeu Ewald) – O filme apresenta toda a trajetória do cantor, vivido na fase adulta por Alexandre Borges, os altos e baixos, que desde criança lutou para dedicar-se ao seu dom e paixão pela música.

Bachianas Brasileiras - Meu Nome é Villa-Lobos (1979. Direção de José Montes Baquer) e Villa Lobos, uma vida de paixão (2000. Direção de Zelito Viana) tem na figura central do compositor filmes distintos. O primeiro acompanha a trajetória do artista enquanto vai reconstituindo o clima do Brasil rural e das cidades nos anos 20 e 30. Mostra o modernismo nascente e retrata as viagens do músico. Apresenta os principais acontecimentos de sua vida, suas idéias sobre música e sobre composição. O filme de Viana dramatiza a vida de Heitor Villa-Lobos: durante concerto no Teatro Municipal, onde será homenageado, vão surgindo lembranças de sua vida. Antônio Fagundes e Marcos Palmeira vivem o personagem central.

Luz Del Fuego ( 1982. Direção de David Neves) - O filme narra a vida da ex-vedete Luz de Fuego ( Lucélia Santos), cuja carreira foi marcada por escândalos, com a polícia e com os políticos nos anos 50.

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