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Fantasmas do norte.
Nuvem de corujas cinzentas cobrem o céu de Toronto
Por: Sandro Miranda | Sotaque Brasileiro, Número 8, Primavera 2005
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Conhecidas como Fantasma do Norte e como a maior coruja da América do Norte, uma centena de grandes corujas cinzentas (Strix Nebulosa) estão de passagem por Toronto e pelo sul de Ontario. Elas foram forçadas a deixarem seu habitat natural – a floresta boreal – em janeiro deste ano e bus a buscarem alimento em outras redondezas, passando pelo sul de Ontário. O motivo foi a escassez da principal fonte de alimento da espécie – os voles roedores. Algumas delas também foram vistas em Montreal e em Ottawa onde houve registro de ataque por parte das corujas a um cão de pequeno porte.
"Elas devem estar muito famintas nas florestas do norte," comentou Fred Bodsworth, naturalista internacionalmente renomado, escritor e especialista em pássaros. "Isto acontece num ciclo de aproximadamente 10 anos … e traz as grandes corujas cinzentas para o sul, na primavera, a procura de alimento." Segundo Bodsworth, é comum ver esses pássaros em áreas urbanas, por isso eles não se importam com a presença humana, à curta distancia.
Durante os últimos dois meses apreciadores de pássaros, fotógrafos e naturalistas têm observado a passagem dessas aves de rapina pela cidade. O "Fantasma do Norte" consegue localizar um roedor mesmo sob densa neve (30 cm) e atacá-lo com extrema facilidade", conclui Bodsworth. Quando o número de roedores diminui na floresta, essas corujas se alimentam de outros animais. Apesar de pequena, a coruja cinzenta não teme adversários quando o assunto é proteger sua ninhada, encarando animais como ursos, lince e até mesmo o homem. Uma bicada dessa ave chega a doer tanto quanto um prego encravado na carne.
A grande coruja cinzenta pode ser identificada pelos olhos amarelos, o grande disco facial protuberante e um perceptível bigode abaixo do bico. O pássaro adulto alcança em media 70 cm de altura (com o rabo) por 1,50 m de asas abertas, 1,5 kg e pode chegar a pesar um qilo e meio. As fèmeas são geralmente maiores e mais pesadas. São cobertos por uma plumagem espessa, porém aerada, predominando camadas de penas acinzentadas intercaladas com brancas. Voam próximo ao solo, menos de 6 m e quando estão caçando apenas sentam e esperam pacientes pelo alvo. Podem viver ate quarenta anos em cativeiro.
Fred Bodsworth, um dos diretores da "Fundação de Naturalistas de Ontário", Canadá, repórter do Toronto Star e Macleans por anos. Autor do livro "The last of Curlews" (O Último dos Maçaricos) publicado pela Editora Ypiranga no Brasil em 1958, e traduzido para o português pelo escritor mineiro João Guimarães Rosa, autor de "Grandes Sertão Veredas".
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