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Cheguei. E agora? Profissão, estudante
Por: Eliane da Fonseca | Sotaque Brasileiro, Número 8, Primavera 2005

Estudar no Canadá  tem se tornado um sonho para muitos estudantes brasileiros. E os motivos são vários: aperfeiçoar o domínio da língua inglesa num curso de ESL (English as a Second Language), cursar faculdade, especialização, doutorado e até mesmo mestrado, melhorando, assim, o currículo profissional.

Mas qual a importância de um curso ESL? E o que se deve fazer para conquistar uma vaga numa universidade canadense? As dúvidas são várias, mas alguns brasileiros já começaram a realizar seus sonhos em solo canadense.

A estudante de Direito Flávia D’Elias, 20, sempre quis fazer intercâmbio e sabe que falar bem inglês é essencial para obter emprego em grandes escritórios de advocacias no Brasil. Por isso, resolveu estudar no exterior. Primeiro, escolheu o Canadá para um curso de ESL porque é um país que chamou sua atenção devido à qualidade de vida e à segurança. Depois, escolheu Toronto comparando seu ritmo com o de sua cidade, São Paulo.

Já para Paulo Guimarães, 28, a viagem para o Canadá teve um motivo diferente: estudando doutorado em Engenharia Elétrica na Universidade de Brasília (UnB) havia dois anos, acabou conseguindo uma bolsa de estudos através da Capes, órgão brasileiro que dá fomento à pesquisa, na University of Toronto (UofT) para realizar parte de seu estudo no exterior. A entrevista para a Capes aconteceu em novembro de 2003 e quatro meses depois, Paulo  já estava no Canadá. Para conseguir a bolsa, Paulo submeteu seu currículo, uma carta de recomendacão da UnB e a carta de aceitação da UofT ao órgão brasileiro. O curso dura um ano, sendo que todo o doutorado tem duração de quatro.  Esse tipo de curso é chamado de “doutorado sanduíche”, por ser feito parte no Brasil e parte no exterior.  No caso de Paulo, serão 3 anos no Brasil e um no Canadá. Para Paulo, a oportunidade no Canadá conta em termos de currículo e de experiência pessoal. Ele sabe que seu doutorado será muito bem valorizado dentro e fora da univeridade. Quando terminar sua fase  em Toronto, voltará para Brasília para concluir o restante do curso.

Outro caso interessante é o do brasileiro, agora também canadense, Iwan Mota, 23. Estudante de engenharia elétrica na UofT, chegou como imigrante no Canadá com a família ainda na adolescência. Estudou um ano no Ontario Academic Credit (OAC), o que corresponderia ao quarto ano do segundo grau no Brasil. Morando em Oakville com a família, ía para a aula e voltava todos os dias usando ônibus, trem e metrô – circuito que demorava 1 hora e 10 minutos. Após a formatura, Iwan pretende procurar emprego no Canadá e no Brasil, apesar de não saber como utilizar seu diploma em território brasileiro.

Assim como a estudante Flávia, que retornou ao Brasil em janeiro de 2005, Paulo e Iwan fizeram cursos de ESL fora do Brasil. Segundo Paulo, um dos pré-requisitos para obtenção da bolsa é ser fluente em duas línguas diferentes da nativa. Ele estudou seis meses nos Estados Unidos e quando chegou em Toronto, seu inglês já era avançado. Para Iwan, não houve muitos problemas com sua adaptação com a língua, pois havia estudado seis anos no Brasil e morado um ano na Nova Zelândia antes de chegar ao Canadá.

Para quem estuda fora, o maior ponto negativo é a saudade – seja da família, dos amigos ou até mesmo da comida. Por isso, sempre que podem, Flávia, Paulo e Iwan vão aos restaurantes brasileiros de Toronto. Um ponto positivo é que quando estão em um país diferente, acabam conhecendo pessoas de outras culturas, ampliando a rede de contatos e as amizades. Conhecer brasileiros também fica mais fácil, já que quando estão juntos se sentem como se estivessem em casa. Não é à toa que Flávia, Paulo e Iwan se conhecem.

KINGSTON

Os estudantes brasileiros que escolhem a Universidade Queen’s de Kingston já contam com sua própria associação.

Criada há 2 anos por quatro estudantes brasileiros, Tiago e Andrezza Falk, Marcelo Kaminski Lenzi (já de volta ao Brasil) e Fabíola Daniela Pinto Gonçalves, a ABK ou Associação dos Brasileiros em Kingston, conta com 20 membros e promete crescer mais.

Os coordenadores Tiago e Andrezza Falk explicam que a idéia inicial era de expor a cultura brasileira aos estudantes e comunidade kingstonianos.  Tiago,  de 25 anos, é  aluno de Doutorado em Engenharia Eletrônica, na área de processamento digital de voz e áudio.  Sua esposa Andrezza, de 27 anos, é Mestra em Administração Pública (MPA), também pela Queen’s University.

A Associação reúne alunos e funcionários da Queen’s University, do Royal Military College, engenheiros, contadores e web designers. Três eventos principais se destacam entre suas atividades: o Carnaval, a Páscoa e a Festa de Fim de Ano. Os encontros se realizam em casas, bares e restaurantes, quando os horários de estudo e trabalho coincidirem. Com sua feijoada bem brasileira, o restaurante Sol Latino, no centro da cidade, é um dos pontos preferidos do grupo.

O website da Associação, http://abkingston.cjb.net possui uma descrição da Queen’s University, fotos dos participantes, e até um link a uma escola de samba a ser criada muito em breve. O e-mail de contato, para mais informações, é o info@abkingston.cjb.net.

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