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Maio, o mês do "Sim"
Por Alessandra Emília | Sotaque Brasileiro - Número 8, Primavera 2005

A mulher que disser nunca ter pensado nisso, me desculpe, estará mentindo. Ao menos uma vez, uma sequer, todas nós nos perdemos em devaneios, imaginando em detalhes como seria esse dia: vestido branco? Véu e grinalda? A música tocando na porta da igreja, todos nos esperando, nos olhando, inclusive o noivo, ansioso, com cara de “será que ela vem”?

Como não poderia deixar de ser, nesta edição de primavera, dedicamos um espaço para o mês de maio e uma das tradições que ele nos traz: casamentos. Conhecido como o mês das flores, maio também é o preferido pelas noivas para a realização do matrimônio. O motivo não é muito claro na história. Segundo a Igreja Católica, maio seria o queridinho das moças casadoiras por conter muitas referências à mulher, como a consagração de Maria, Mãe de Jesus (segundo domingo do mês), o dia de Nossa Senhora de Fátima (13 de maio) e dia 31, dia de visitação de Nossa Senhora.

Porém, se maio continua sendo, por tradição, o mês das noivas, na prática, a coisa tem mudado um pouco de figura. No Brasil, dezembro desbancou maio por uma simples razão: é o mês do 13º salário. Dinheiro no bolso, festa garantida.  Em Portugal,  casa-se na data mais propícia para os noivos. No Canadá, terra multicultural, não seria diferente: respeitam-se as tradições de cada povo, casando-se quando bem convém.

E as mudanças não param por aí. Data cheia de simbolismos, a cerimônia do matrimônio tem se diferenciado, e muito, de como era realizada no passado. As diferenças podem ser notadas, também, de cultura para cultura.

Casar por amor? Isso é coisa moderna, de uns 200 anos para cá. Até então, casamento era visto como negócio, objetivo de unir riquezas, perpetuar nomes e tradições. Na Grécia Antiga, as jovens eram dadas por seus pais aos noivos somente para garantir filhos legítimos.

A aliança de casamento surgiu no Egito, representando eternidade. Os gregos a faziam de ferro, porque acreditavam que, assim, atrairiam o coração amado. Foi o Papa Nicholas I, no século XI, quem iniciou a tradição do anel de noivado feito de ouro, uma prova de sacríficio financeiro por parte do noivo à sua futura esposa.

Em 1477, o Arqueduque Maximilian da Austria, presenteou sua amada, Mary de Burgundy, com um anel de noivado feito de ouro e diamantes. Bastou para que a moda pegasse, para a ruína financeira dos aspirantes a noivos. A partir de então, muito países adotaram a prática, como o Canadá.

Unanimidade, ainda hoje, entre as noivas, o vestido branco nem sempre foi o favorito. Na China Antiga e na Idade Média, as noivas cobriam-se de vermelho, considerada a cor do amor. Foi no século XIX que o branco se popularizou, sendo usado pela primeira vez pela rainha Vitória, ao casar-se com seu primo, o príncipe Albert. Detalhe: o pedido de casamento foi feito por ela, já que homem algum poderia se atrever a fazer tal proposta para a rainha.

Ate o aguardado beijo depois do “sim” tem lá seu significado: muitas culturas acreditavam que o ato compartilhava as almas do casal. Verdade ou não, vale a pena caprichar no beijo, só para garantir!

POR TRÁS DO VÉU

  • Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os brasileiros estão casando menos e mais tarde. Enquanto, em 1990, a média de idade ao casar, entre os homens, era de 26,9 anos, em 2000, pulou para 29,3 anos. Entre as mulheres, a diferença foi menor, passando de 23,5 para 25,7 anos. Já o número de casamentos diminuiu, passando de 8 mil por habitantes para 5,7 mil por ano em 2001. Porém, nem tudo são más notícias. Segundo o estudo, houve uma estabilização no número de divórcios e separações.
  • No Canadá, é tradição o noivo fazer o pedido de casamento junto com um belíssimo (e caro) anel de brilhantes para a futura noiva. Detalhe: depois desse tem mais. No dia do casamento, há a troca de alianças, mas o anel de noivado permanece na mão esquerda, sendo adicionada a aliança de casamento.
  • Outro detalhe é que as alianças do noivo e da noiva não precisam ser exatamente iguais. Como retribuição ao anel de noivado, a noiva pode presentear o noivo também, não somente com um anel, mas sim com um relógio ou qualquer outro tipo de jóia.
  • Em terras do hóquei, quem ganha presente são as madrinhas e damas de honra. É tradição a noiva presentear suas madrinhas com uma gargantilha a ser usada no dia da cerimônia, igual para todas, assim como o vestido.

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