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Quarteto de Cordas Monarch: música clássica com um toque de Brasil
Por: Isis Juliana | Sotaque Brasileiro, Número 9, Verão 2005

Quarteto de cordas Monarch |
Tudo começou por acaso. Em abril de 2004, a musicista de formação erudita Juliana Vertematti descobriu que, além dela, havia mais um brasileiro na Orquestra Toronto: o violinista Willian Dias. O encontro resultou na formação do "Quarteto de Cordas Monarch", que conta também com a participação de duas musicistas canadenses, Hannah Donnovan e Rebecca Kurtis. O nome foi inspirado na natureza, vindo da borboleta de mesmo nome que migra de norte a sul das Américas.
O quarteto de cordas pode ser interpretado como um destacamento da seção de cordas de uma orquestra. Em termos gerais, a orquestra pode ser dividida em dois grandes setores: o de cordas e o de sopro. Na seção de cordas temos quatro instrumentos que são: o violino (geralmente dois), a viola, violoncelo e/ou o contra-baixo. Willian Dias nos explicou que a música em si, sempre tenta imitar os sons das vozes humanas. Assim sendo, podemos comparar a formação do quarteto com a formação dos corais, onde temos o soprano e o contrauto (vozes femininas), o tenor e o baixo (vozes masculinas), criando o contraste grave/agudo. No quarteto de corda, os violinos fazem as vezes de primeira e segunda voz, a viola seria a terceira voz de um coral e, por último, o contra-baixo ou o violoncelo com função de quarta-voz.
Por ser menor e, portanto, mais versátil, o quarteto de cordas é perfeito para apresentações em espaços pequenos, diferente da complexidade de uma orquestra inteira. No "Quarteto de Cordas Monarch", Willian é o violonista principal, ou a "primeira voz", com som mais agudo; Rebbeca e seu violino seriam a "voz feminina"; Juliana se ocupa da viola e Hannah toca o violoncelo.
O repertório do grupo abrange desde músicas clássicas, latino-americanas à composições e arranjos exclusivos de Juliana Vertematti. Paulista de São Bernardo do Campo, a compositora teve seu primeiro contato com o piano aos 8 anos de idade. Em 1994, apresentava sua música e arranjos com toques típicos do Brasil em Marostica, Itália. E esse só foi o início. Bacharel em Composição pela faculdade de artes "Alcântara Machado" em 2001, a musicista tocou em diversos grupos de câmara, orquestras e quartetos de cordas. Residente em Toronto desde janeiro de 2004, fez parte da Orquestra Toronto, lecionou junto ao Toronto District School Board e dá aulas de música para crianças e adultos das comunidades brasileira e canadense.
Assim como Juliana, podemos sentir no outro brasileiro do quarteto a mesma dedicação e amor pela música clássica. Foi também cedo que Willian Dias Jr. revelou seu talento. O violinista oficial do "Quarteto Monarch" nasceu em Belo Horizonte (Minas Gerais), onde teve seu primeiro contato com instrumentos musicais aos 5 anos de idade. Willian provaria seu potencial em 2002, ao receber o prêmio de primeiro lugar no conceituado concurso "Jovens Solistas", da UFMG. Formado pela Universidade de Minas Gerais, participou de diversos grupos de câmara e festivais pelo Brasil. Em Toronto, onde reside há dois anos, tocou em diversos grupos, entre eles: Mississaga Symphony, National Academy Orquestra in Hamilton, Sudbury Symphony Orquestra, Huronia Symphony e na Orquestra Toronto, onde encontraria suas futuras companheiras na formação do "Quarteto Monarch".
Todos do quarteto começaram cedo o contato com a música. Hannah Donovan tinha apenas três anos de idade quando conheceu o método Suzuki (método japonês de iniciação a música para crianças) e, daí, não parou mais, dando continuidade aos estudos até chegar na Universidade de Alberta. A musicista, que tem no currículo a participação na University Symphony Orquestra, revelou afinidade com o ritmo brasileiro ao aprender o "Baião", composição de Juliana Vertematti. Para Rebecca Kurtis, também violinista do quarteto, os arranjos criados pela brasileira dão um toque único ao repertório que, com originalidade e técnica, cativam o público canadense. Rebecca começou a tocar aos oito anos. Hoje, é Bacharel em Música pela Universidade de Toronto, tendo atuado em performances com grandes maestros de câmara, como Victor Feldbrill e Peter Oundjian. Atualmente, concilia os ensaios e apresentações do quarteto com a participação na Orquestra Toronto, além de lecionar.
Com a corda toda ou "com todas as cordas", o quarteto anda com a agenda cheia e ainda quer mais: está a procura de patrocinadores para futuros projetos ligados à música. Para contato, ligue: (416) 783.4993 ou monarchquartet@gmail.com
O MÉTODO SUZUKI
O revolucionário método Suzuki de iniciação à música para crianças foi criado pelo violinista e pedagogo japonês Shinichi Suzuki na década de 30. Após termininar seus estudos de música em Tóquio, Suzuki foi a Berlim a fim de se aperfeiçoar, onde passaria por inúmeras dificuldades com o idioma alemão. Foi quando começou a observar a facilidade com que as crianças falavam sua língua materna. A partir daí, criaria seu método de ensino de música às crianças, baseado no conceito semelhante ao da aprendizagem da língua materna, que se desenvolve naturalmente através da repetição: a criança ouve sua mãe e demais familiares a falar, escuta palavras como "mamãe", "papai" e, de acordo com o incentivo, motiva-se a aumentar o seu repertório e formar pequenas frases. Mais tarde, ao ingressar na escola, a criança aprenderá a ler e escrever. Para Suzuki, toda criança nasce com a capacidade de aprender um instrumento musical. Os pais participam desse aprendizado,ajudando seus filhos em casa, mesmo sem possuir nenhuma noção musical. Na filosofia Suzuki o talento não é um acaso de nascimento, mas fruto do ambiente em que o homem vive.
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